Transição ainda não tem cronograma definido e gera debate entre autoridades da área da saúde
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), confirmou que o modelo de atendimento pré-hospitalar no estado passará por mudanças significativas, com a retirada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a transferência das atribuições para o Corpo de Bombeiros Militar.
A declaração foi feita durante entrevista concedida a uma emissora de rádio nesta semana, quando o chefe do Executivo estadual destacou que a medida já está definida e integra um plano de reorganização administrativa. Segundo ele, o objetivo é reduzir despesas e tornar a estrutura pública mais eficiente, mantendo a continuidade dos atendimentos emergenciais à população.
De acordo com Pivetta, o serviço — considerado essencial — seguirá funcionando normalmente, porém sob uma nova gestão operacional. “O Corpo de Bombeiros assumirá esse trabalho, garantindo o atendimento e permitindo uma estrutura mais enxuta”, afirmou.
DEMISSÕES E INCERTEZAS
A mudança ocorre em meio a um cenário recente de instabilidade na área, marcado pela demissão de 56 profissionais ligados ao Samu, ainda durante a gestão do governador Mauro Mendes (União Brasil). Na ocasião, os trabalhadores relataram falta de aviso prévio e realizaram manifestações na Assembleia Legislativa, cobrando esclarecimentos e possíveis recontratações.
Apesar do anúncio oficial da substituição do modelo, o governo ainda não apresentou detalhes sobre o cronograma de implantação, nem esclareceu como será feita a absorção — ou não — dos profissionais atualmente vinculados ao Samu. Também não há informações sobre protocolos de integração entre equipes ou possíveis mudanças na regulação médica dos atendimentos.
ALERTA NO LEGISLATIVO
A proposta já começa a gerar repercussão entre parlamentares estaduais. O deputado Doutor João (MDB), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, manifestou preocupação com a possível mudança no perfil do serviço.
Embora tenha reconhecido a competência e a importância do Corpo de Bombeiros, o parlamentar destacou que o Samu possui uma atuação técnica específica voltada ao atendimento médico de urgência. Ele alertou para a necessidade de cautela em alterações estruturais.
“Qualquer mudança precisa considerar a especialização do serviço. O Samu tem uma vocação própria, com atendimento médico direto, e isso precisa ser preservado”, ponderou.
DEBATE SOBRE O MODELO
A reestruturação proposta pelo governo estadual abre espaço para discussões sobre eficiência, custos e qualidade do atendimento pré-hospitalar. Especialistas apontam que o Samu, criado para oferecer suporte médico imediato, possui protocolos específicos e equipes treinadas para intervenções clínicas no local da ocorrência.
Por outro lado, o Corpo de Bombeiros já atua em diversas frentes de resgate e salvamento, o que pode favorecer a ampliação de um modelo integrado — desde que haja capacitação adequada e planejamento detalhado.
Enquanto isso, a população e os profissionais da área aguardam definições mais concretas sobre como será a transição e quais impactos práticos a mudança poderá trazer no atendimento de urgência em Mato Grosso.






